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São Francisco - Gates insiste que não é 'Fake Steve Jobs' e o verdadeiro Jobs compara a relação dos dois a um canção dos Beatles.
Mais uma vez, os dois executivos mais poderosos da indústria de tecnologia, Steve Jobs e Bill Gates, se encontram no palco. Durante a conferência D: All Things Digital, promovida pelo Wall Street Journal, a aparição conjunta na quarta-feira (30/05) arrancou aplausos e ofereceu aos participantes uma rápida volta ao passado e um olhar para o futuro do mercado.
O evento começou com um vídeo mostrando os encontros de 1984, 1991 e 1997, nos quais os dois aparecem no mesmo palco. Ao final, Jobs e Gates em carne e osso entraram de lados opostos do palco real.
A primeira pergunta feita à dupla de “geeks” foi no que eles teriam contribuído para a sua indústria. “Bill mostrou a primeira empresa de software da indústria. E acho que ele fez a primeira empresa de software antes que qualquer um soubesse o que era uma empresa de software, e isso foi enorme. E o modelo de negócio em que eles apostaram acabou funcionando muito bem”, disse Jobs.
“O que Steve fez é fenomenal”, continuou Gates. “Lá atrás, em 1977, o Apple II, a idéia que seria uma máquina para mercado de massa e um fenômeno incrivelmente poderoso. E o Macintosh, isso foi tão arriscado. A Apple realmente apostou a companhia”.
“De certa forma nós criamos os produtos que nós mesmos queremos usar”, disse Gates. “Ele realmente buscou isso com gosto e elegância incríveis e teve um impacto enorme na indústria”, acrescentou o fundador da Microsoft.
Jobs chamou a si mesmo e a Gates de “incrivelmente” sortudos por atrair parceiros e pessoas ótimas para trabalhar perto de si.
Melhores trechos
Confira, a seguir, mais alguns trechos das falas de Gates e Jobs:
“Primeiro de tudo, quero esclarecer que não sou o ‘Fake Steve Jobs’”, disse Gates, em uma referência ao popular blog que satiriza a Apple, arrancando gargalhadas da platéia.
“A Apple tinha que lembrar quem a Apple era, porque tinha esquecido”, diz Jobs sobre sua volta à companhia em 1997, aos 10 anos no comando da Next.
“A mãe dele o adora”, brinca Gates sobre o personagem PC, das populares propagandas da Apple para TV.
“O cara do PC é o que faz funcionar”, Jobs tenta convencer Gates.
“O grande segredo da Apple é que ela se vê como uma empresa de software. E não restam muitas empresas de software. E a Microsoft é uma empresa de software”, diz Jobs sobre a competição de ambas pelas “mentes e corações” dos consumidores. “Olhamos para o que eles fazem, e algumas coisas são realmente boas, algumas são competitivas, e outras não são”.
“Não achamos que vamos ter 80% do mercado”, disse Jobs, revelando que a ambição da Apple é muito mais modesta que dominar o mundo.
"Alan Kay disse, as pessoas que amam software querem fazer seu próprio hardware”, disse Jobs, se referindo a uma figura ilustre na Apple.
“Não posso resistir a isso”, respondeu Gates.
“É usar riqueza local [de funções] com riqueza em qualquer outro lugar”, afirmou Gates, sobre o futuro da computação.
“A experiência é inacreditável, muito melhor que um computador”, Jobs concordou, referindo-se à função do Google Maps no próximo lançamento da Apple, o iPhone.
Gates opinou ainda que em cinco anos o consumidor não vai depender de um único computador - terá uma série de dispositivos, como tablets e telefones.
Jobs concordou, prevendo uma explosão dos dispositivos pós-PC, como o iPod.
“Nós mantemos nosso casamento em segredo por mais de uma década atualmente”, responde Jobs, sobre a relação com Gates.
“Nós realmente parecíamos mais jovens naquele vídeo”, reclamou Gates.
“Digo que tudo na vida é como uma canção dos Beatles ou do Bob Dylan. Mas tem aquele verso na música dos Beatles: ‘Você e eu temos memórias mais antigas que a estrada que segue à frente’. E isso realmente é verdade aqui”, disse Jobs.
Jobs apontou que quando começaram, ele e Gates eram as pessoas mais jovens na sala. Hoje, estão entre as mais velhas.
De volta ao passado
Os dois recordaram os esforços da Microsoft para viabilizar a computação de ponto flutuante na linguagem de programação BASIC, do Apple II.
“Meu parceiro, Steve Wozniak, um cara brilhante. Escreve o melhor BASIC do planeta”, recorda Jobs. “Perfeito em todos os aspectos, exceto pelo fato de ser apenas em ponto fixo. Eu imploro a Woz, e ele simplesmente não faz. Ele escreveu em um papel, nunca chegou a fazê-lo. Então a Microsoft tinha esse BASIC muito popular, com ponto flutuante muito bom. E fomos a eles”.
Gates continua a história. “Foram 31 mil dólares pelo BASIC de ponto flutuante. E eu fui à Apple levando fitas cassete para trabalhar”.
Os dois concordam que a Microsoft fez uma grande aposta com o Macintosh quando a Apple apresentou o novo computador. “O que é difícil lembrar agora é que naquela época a Microsoft não estava no negócio de aplicações”, aponta Jobs
“Fizemos essa aposta que a mudança de paradigma ia acontecer, para as interfaces gráficas, e que o Mac seria aquele que faria isso”, disse Gates. “A grande aposta não era Mac contra Windows, era modo caracter contra interface gráfica”, acrescentou Gates.
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